Dança Na Escola “Livro Dança na Arte, no Esporte e na Educação”– Autora: Marilia Silveira
- Ricardo Salvagni
- 26 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Os bastidores do aguardado livro "Dança na arte no esporte e na educação". Apresentado por Carla Salvagni, este episódio tem como convidada a Professora Marília Balbi Silveira, uma das professoras da pós-graduação de Dança, Arte, Esporte e Educação, que compartilha detalhes sobre seu capítulo no livro.
No capítulo "Dança na escola: reflexões pedagógicas", Marília aborda a dança no ensino formal, abrangendo o Ensino Infantil, Fundamental e Médio. A conversa se aprofunda nos desafios de levar a dança para o ambiente escolar, especialmente para o público heterogêneo da pós-graduação, que inclui recém-formados e profissionais mais experientes.
Pontos-chave explorados no vídeo:
• A Dança como Conteúdo Obrigatório: Marília destaca que a dança é um conteúdo obrigatório nas escolas, inserida nos currículos de Educação Física e Artes, e até como disciplina autônoma em regimes de tempo integral.
• Propósito da Dança na Escola: O objetivo principal não é formar bailarinos ou dançarinos, mas sim sensibilizar as crianças para a linguagem da dança e oferecer estímulos musicais, corporais, artísticos e estéticos.
• Diversidade de Estilos: A discussão enfatiza a importância de levar todas as danças para a escola, entendendo-a como uma linguagem e área autônoma de conhecimento que deve se nutrir de outras fontes como música, teatro e psicologia. Levar apenas uma modalidade é uma "receita para o fracasso".
• Crítica à Superficialidade: Há uma preocupação com a tendência de se copiar coreografias populares, como as do TikTok, levantando a questão da real função do professor se o conteúdo já é dominado pelos alunos. Embora essas tendências possam servir como "ponto de ancoragem", elas devem ser o início para uma exploração mais profunda do repertório.
• Potencial da Dança para Discussões Sensíveis: A dança possui um enorme potencial para o desenvolvimento corporal e expressivo, e para abordar temas "espinhosos" como preconceitos de gênero, religiosos e culturais. Através da dança, a escola tem a chance de aproximar a criança da diversidade que existe no país.
• Regras e Tradições vs. Inovação: Marília discute as regras e leis que existem desde a década de 90 para o ensino de conteúdos diversos de forma responsável, evitando clichês e estereótipos. Ela compartilha experiências de questionamentos de direções escolares sobre a inclusão de danças de matrizes africanas ou o tratamento de preconceitos em festas juninas.
• A "Educação de Corpo Inteiro": A importância da educação que considera o corpo em sua totalidade é ressaltada, destacando que "não adianta eu falar de discriminação de um lado e discriminar o outro".
• Jornada Pessoal: Marília compartilha como a dança a ajudou a superar a timidez e a se tornar uma pessoa mais autoconsciente e capaz, enfatizando que a dança "me tirou de dentro de mim mesmo".
O livro "Dança na arte no esporte e na educação" é uma contribuição valiosa para a área, refletindo a profundidade e a provocação que o curso de pós-graduação busca em seus alunos.
Para solidificar a compreensão do papel da dança na escola, podemos compará-la a um jardineiro cultivando um jardim diversificado. O professor de dança não planta apenas um tipo de flor, esperando que todas as crianças se tornem mestres naquela espécie. Em vez disso, ele cultiva uma variedade de sementes, expondo as crianças a diferentes solos, climas e paisagens. Algumas flores podem não gostar de um tipo específico de terra, mas florescerão em outra. O objetivo é que cada criança encontre seu próprio ritmo e floresça em seu próprio estilo, aprendendo a cuidar de seu corpo e expressar sua essência, enriquecendo o jardim coletivo com suas cores e formas únicas.



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